"NÃO É A FORÇA, MAS A CONSTÂNCIA DOS BONS SENTIMENTOS QUE CONDUZ OS HOMENS A FELICIDADE!"
(Friedrich Nietzsche)






Essa é a forma mais resumida que eu posso falar sobre ela. E a forma mais complexa é ...
Você já sentiu que é abraçada e envolvida todas as vezes que pensa em uma determinada pessoa? Que essa pessoa tem um poder influenciável em todos os acontecimentos ao redor do seu mundo, e que o sorriso dela é a arma mais poderosa que você já viu? Que cada vez que você sente a presença dela, sua alma enaltece de uma alegria e uma paz tão forte e gigante, que cada parte de sua vida, essa e das outras se tornam um só ser, um cosmo, um universo inteiro de magia. Ela é poderosa, não estou falando de uma forma financeira, mas de uma forma astral. É como se ela fosse a grande mãe e você um dos seus filhos, como se tudo o que ela tocasse se transformasse em felicidade e em amor, como se a cada explicação de suas poções ou se a cada relato de suas histórias você pudesse pular pra diversos mundos e ressurgir em qual ponto das suas vidas ancestrais você se sentisse melhor. Não tem como você ficar triste, ou depressiva perto dela. Pois seus sentimentos são tão fortes e verdadeiros que destroem qualquer possibilidade de mal que lhe possa afligir. Como se todos os seres elementais perdessem sua força para o poder que ela exerce sobre o astral.... E somente o poder dela que é visto, sentido, tocado... E você se sente a pessoa mais abençoada desse mundo, por fazer parte da vida dela...

Insana, autêntica, sorridente, maluca, meiga, mágica, inteligente, intelectual... nenhuma qualidade supera ou descreve tão forte o que é ser você Gabi... porque você é única...


Com extremo carinho e afeição!
Te amodoro muito!
Lí {17/09/2007}


Quem:

Gabi Coutinho, redatora, formada em Publicidade e Propaganda pela UNIT-SE, especialista em Marketing Pela UFPR.



Histórico:

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Pão e cigarros


Saiu de casa com pouca coragem. Acordara com fome e viu que não havia pão. Teve vontade de fumar, mas não havia cigarros. Na rua, estava descabelada e com frio. No rosto, as marcas da noite mal dormida. Foram muitos os pesadelos que a despertara na madrugada, em um deles os trovões gritavam forte em seus ouvidos.

 

Chegou ao supermercado e pediu três pães. A voz quase não saia das cordas vocais. Talvez quisessem permanecer escondidas no quentinho da garganta. Foi no caixa, pediu os seus cigarros e foi embora. Enquanto caminhava na calçada pensou como aquela cena era cômica. Até rabiscou um leve sorriso. Lembrou-se de uma das suas tias, todas as manhãs. Saía descabelada, com o corpo dentro de um vestido estampado, mas que de tão gasto era difícil imaginar que um dia cores reinaram naquele tecido. Comprava pão e cigarros na padaria da esquina, e já chegava a casa exalando nicotina. De longe já se via a fumaceira, a chaminé ambulante. Vinha com a sacola em um dos braços e a mão apoiada na barriga redonda; conseqüência de filhos bem nascidos e bem crescidos. Do portão de casa já se fazia ouvir, já acordava os que dormiam e fazia questão de tilinta as panelas. O café da manhã simples fazia a festa da criançada. O habitual e velho pão com manteiga e o café com leite. Na época em que a matriarca da família ali morava, muitas manhãs tinham cheiro de pão com manteiga na chapa, lambuzando os dedos e as bocas até dos mais velhos.

 

As lembranças foram interrompidas ao chegar à esquina, para atravessar a rua. E, enquanto evitava ser atropelada pensou como era delicioso ter esses pensamentos e lembranças em passeios tão simples. Também, como os eventos corriqueiros grudavam em sua mente, vindo à tona em uma outra cidade, bem longe daquela que mora a sua tia.

 

Chegando ao apartamento, preparou o café com leite, abriu o pão, passou uma grossa camada de manteiga e foi à televisão assistir a algum programa matinal. E, nem passou pela sua cabeça que as lembranças se escondem, e muitas vezes tardam a aparecer. E que os eventos de ontem, que tanto marcam, acabam por ficar incrustados nas vidas da gente.



- Postado por: Gabi Coutinho às 14h29
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Do passado e das suas implicações.


 

         Estava eu a pensar em fatos passados, doloridos e felizes. Tentando dar uma explicação às mudanças e medos de hoje. É bem verdade que o ontem nos molda, mas não diz o que somos hoje. Acabamos sendo um misto dos acontecimentos que nos cercam no dia a dia. Infelizmente o passado dita o nosso relacionamento com as pessoas, pois se sofremos, não queremos passar pela dor novamente e muitas vezes nos esquivamos dos sentimentos nossos e dos outros.

         Por isso considero uma pessoa afortunada aquela que tem a capacidade de se entregar por completo e de fazer surgir belos pensamentos. Eu também passei pelos sofrimentos, chorei, amaldiçoei, desejei que os ventos enxugassem as minhas lágrimas e que as águas carregassem para longe o que me amolava. Nós passamos por situações inexplicáveis que tiram a nossa razão. Excomungamos e aprisionamos os nossos corações achando que é a única maneira de sofrer menos. Mas, o tempo passa, o mar revolto volta a sua tranqüilidade habitual, as cicatrizes começam a se apagar.

         Mas, a fortuna muitas vezes pode se tornar desilusão, e a idade já demonstra a sapiência. As tentativas acabam se esgotando, a vontade vai desaparecendo e o querer cessa, se tornando apenas um leve sorriso sem borboletas para agitar o estômago. Sou a favor das tentativas que amolecem o coração e endurecem o aprendizado.

 

         Então amigos, aproveitem as borboletas, enquanto elas ainda atormentam as tripas enamoradas! E que estes lindos seres possam fazer isso pelo resto de suas vidas!



- Postado por: Gabi Coutinho às 19h02
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No chão de terra batida, os pés caminhavam desolados e a respiração se fazia difícil com a sequidão da vegetação. A noite se arrastava mansa, a lua cheia flutuava na madrugada, iluminando o caminho. As sombras cutucavam os medos da gente, pois não se sabia o que existia mais além da mata à esquerda. Esta se levantava como uma onda enegrecida a ponto de nos engolir sem deixar algum rastro. Uns sons de animais despertavam a atenção, mas novamente tudo se silenciava e mais uma vez a mente se quedava inerte, sonolenta. Os olhos se tornavam famintos por alguma figura que não era sombra, nem gente, nem bicho.

Num certo tempo, um barulho baixo despontava ao sul e uma mancha negra se aproximava devagar. Não havia nenhum outro movimento, nenhum rebuliço de árvores ou animais, apenas aquele som cada vez mais alto. A terra passou a tremer timidamente, o coração palpitava ansioso e da imaginação escorriam monstros de histórias de infância. No momento em que o mundo havia parado de girar, na expectativa em saber o que avançava, surgem tons de cinza e amarelo, num formato grotesco. E atrás dessa forma, um rabo é arrastado enquanto o monstro caminha, imitando os seus movimentos e a sua respiração.

E, vinha, no meio da noite, o monstro de ferro, andando sobre rodas, arrastando seu rabo interminável de vagões. Cortava o ar calmamente, deslizava no breu com muito jeito, sem assustar os moradores da região. Nós, boquiabertos, fitávamos a cena, sem conseguir sair do lugar, olhando as cores que se alternavam. O monstro pára, nos observa, mas nada fala. Depois de alguns minutos volta a caminhar no vazio das estrelas sem um apito de chegada ou de partida, apenas no sonolento “vuco, vuco”. Ainda ficamos a esperar o final da centopéia, que parece não chegar nunca. E se cria a expectativa do “agora é a hora”. Num momento tudo se acaba, e o monstro continua sua jornada para sei lá onde.

Continuamos a seguir, no silêncio mórbido, nos encharcando do ar frio e seco, procurando a madeira para nos aquecer e o lugar para dormir, longe de monstros mansos e centopéias de ferro.


- Postado por: Gabi Coutinho às 13h08
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A Piriguete.


Semana passada uma amiga comentou que o momento em que mais gosta de escrever, desabafando todos os conturbados causos da sua vida, é durante o período anterior ao Comando Vermelho. Disse a ela que concordava inteiramente com isso e, entre um copo de cerveja e outro, refleti sobre o seu comentário. Não é coincidência, afinal é um momento em que estamos a explodir a qualquer momento. Paciência se torna apenas uma palavra no dicionário e não uma ação que funcione em nossos corpos.

         Então, na mesma semana em que aconteceu a conversa, no dia em que se iniciava o inferno não apenas astral, mas também corporal, decidi, sem muita vontade, ir até o supermercado. Todos sabem o quanto é majestoso e magnífico ir ao supermercado, com os clientes parando no meio do corredor para analisar o que seja, com os funcionários mal humorados, com as filas quilométricas. Mas, o que fazer? Ou eu me aventurava na maravilhosa selva de gôndolas ou me satisfazia, no outro dia, almoçando pão dormido.

         Nunca fiz compras de maneira tão rápida, caminhando velozmente, jogando tudo na cesta de forma desordenada, não escutando os xingamentos depois de várias trombadas. A chegada ao caixa mais parecia a linha de chegada, mas como não era a primeira, em vez de prêmios, só ganhei desgosto. Três mulheres estavam na minha frente, mas observei atentamente a que estava mais próxima. Quando olhei pro rostinho da criatura, só consegui formular uma palavra na mente: piriguete!

         Na verdade a mulher piriguete, se vocês não sabem, não é mulher puta, muito menos mulher galinha. Existe uma pequena diferença. A mulher puta tem um lema na vida: Eat and Go*. A mulher galinha só pensa em uma coisa: Search and Destroy**. Já, a mulher piriguete faz tudo isso. Suas vestes são sempre muito parecidas, seus olhares são sempre maliciosos. Mas, a mulher piriguete é a favor de uma baixaria, de um barraco armado e de uma saia pra rodar a baiana. Sempre fala alto, gosta e chamar a atenção de todos porque acha que atirar para todos os lados é a solução. Seus mamilos são mais que chafarizes de leite, são armas altamente avançadas lançando projéteis invisíveis.

         E lá estava a piriguete desalmada, lançando as suas balas de futilidade e reclamação. E mesmo que eu quisesse meter a mão na massa branca da sua bochecha, tive que me conter e arranjar algum tipo de concentração: verificar a lista de compras, olhar a quantidade de calorias de um chocolate, ver a quase queda de uma garota, observar um cachorro tostando no sol. Opa, chegou a minha vez. E lá se foi a piriguete com seu rebolado de sambista, sacudindo a peruca (vulgo cabelo) loira e desfilando numa passarela de carrinhos e cestinhas ao som da máquina registradora.

 

 

*Eat and go = comer e ir embora.

**Search and destroy = procurar e destruir.

 

 



- Postado por: Gabi Coutinho às 16h28
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Foi subindo para o topo da colina, devagar, observando tudo a sua volta. Caminhava por uma trilha de pedras, fazendo um leve ziguezague. Com a cabeça erguida, sentia os diversos aromas de cada planta, cada flor. Enchia os olhos de um colorido suave e fechava-os por alguns instantes para tatear a brisa que a guiava.

         Tudo era silêncio. Nenhuma música, nenhuma outra voz, a não ser aquela que sussurrava em seu ouvido. Ah! Doces palavras da sua protetora bruxa, numa voz atemporal e que a conectava ainda mais com a natureza. As árvores dançavam enamoradas pelo som do mundo, os pássaros alçavam vôo para esticar as asas. E ela se concentrava cada vez mais, entrando num profundo transe e conversando com seu coração sobre o presente momento.

         Chegou ao topo. Colocou na grama o caderno e a caneta que trazia consigo. Olhou a vastidão que se punha a sua frente. Morros pintados de verde, salpicados com grandes pontos marrons. Sim, eram as rochas que brotavam da terra fértil e que apontavam aos céus, como se para mostrar uma beleza sem fim. Mais uma vez sentiu o vento tocar em sua pele, sacudir seus cabelos, dançar no ar. Ele trazia presentes de mundos distantes e culturas diferentes.

         Depois de muito ouvir, pediu licença ao vento, pois algo precisava ser feito. Não sabia quando voltaria novamente àquele lugar mágico e quis firmar a sua visita. Então, encheu os pulmões com todo o puro ar que conseguiu agüentar e gritou. Gritou até nada mais restar e até a sua voz falhar. Inspirou novamente o ar, e este curou qualquer dor na garganta e no peito. Gritou novamente, e se fez presente na terra e no céu, agitou as nuvens e acordou as pedras. Sentiu a energia explodir em suas mãos e em sua cabeça. Levantou os braços para sentir a força que aquele lugar poderia proporcionar.

         Sentou-se na grama úmida, sorriu e disse: “E que fique certo, eu estou aqui! Caminhei por estradas difíceis, e cheguei até aqui. Que minhas palavras fiquem cravadas nos ponteiros do tempo, pois ele há de se lembrar”.



- Postado por: Gabi Coutinho às 21h26
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Veio parar em suas mãos uma tese chamada: por que falamos eu te amo?. A capa negra, as letras douradas, o aroma das folhas novas e da tinta ainda fresca. Um assunto tão antigo em um material tão novo e moderno. Um texto sombrio, sem as cores shakesperianas, nem a sonoridade de versos ou o tilintar das canções apaixonadas por seres enamorados. Já passou tantas vezes por corações despedaçados e juras jogadas ao relento. O sentimento é medido num termômetro de brinquedo, encontrado num camelô da feirinha do lado.

         Esta mulher já escutou a frase tantas vezes que, talvez, tenha se acostumado. E já falou tantas vezes que perdeu o brilho. A tese que segurava era uma resposta as suas dúvidas. Então deixou de lado o livro, foi ao banheiro e se olhou no espelho. Ali estava, em seu reflexo, a pessoa que ela mais deveria amar. A mulher que deveria escutar todos os dias um sonoro ‘eu te amo’. Sorriu e olhou profundamente na outra que a fitava e disse uma frase, escutada tantas vezes em filmes Hollywoodianos: mais importante que o amor é o amor próprio. E, depois enfatizou: porque é a partir do amor próprio que se ama o outro.

         Voltou para a sala e pensou em cada pessoa que já havia escutado da sua boca o ‘eu te amo’. Algumas nem mereciam ser amadas em sua totalidade, mas amava algumas características, amava os sorrisos, os olhares, as palavras de afeto. Então concluiu: a gente não ama de forma inteira porque parte do que amamos em nós mesmos amamos em outras pessoas.

         Lembrou dos ‘eu te amos’ ditos em horas impróprias. Pra ela nunca foram impróprias porque quando sente, desabafa. Porque a verborragia faz parte do seu ser e mesmo que saiba que seus olhos exprimem esse sentimento, precisa gritar aos ventos. As nuvens devem saber disso, as estrelas precisam escutar. Sempre que exprime esse sentimento, sabe que cada partícula do seu corpo explode, suas mãos suam, seus olhos brilham e as pernas cambaleiam. Por isso praguejou por ter se arrependido algumas vezes de ter falado ‘eu te amo’.

         Sua face se encheu de uma rica alegria: ora, tantas pessoas deixam de amar pela primeira vez, com medo de se machucar. Tantas outras deixam de amar de novo, com medo de repetir a infelicidade anterior. Já conheceu pessoas que vestiam uma couraça para não serem atingidas por tal sentimento. Algumas até se seguravam, e criavam obstáculos para nunca se entregar.

         Ela estava entregue, sem nenhuma vergonha, sem nenhum medo pois sabia que amava um homem. E, mais importante que amá-lo, ela se amava.



- Postado por: Gabi Coutinho às 18h02
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TPM


Conciliábulo. Arranjo, cabala, cachinha, cambalacho, colusão, complô, conchavo, conivência, conjuração, conluio, conspiração, conspirata, consulto, conventículo, corrilho, malhoada, maquinação, panelinha, ró-ró, trama.

 

Dessa maneira, quem vos fala agora não é Gabriella, e sim senhorita Molotov.

Quando acordei hoje e notei que estava mais irritada que o convencional, verifiquei na agenda e notei que estou no inferno astral do mês, ou seja, a TPM. O simples fato de deixar cair, sem querer, um papel no chão, já é motivo de esmurrar a parede. Então, pensei, por que não dividir esse suplício mensal com vocês, meus queridos amigos?

Creio que só as mulheres conseguem compreender como é passar por essa fase constantemente. Eu poderia tecer uma lista de reclamações, pois hoje, mais que qualquer outro dia, estou com a língua afiada para isso, mas não o farei. No entanto, milhares de vezes eu tive que escutar as reclamações dos homens sobre a transformação das mulheres nessa época. De ser humano a lobisomem, de doutor Jekyll para senhor Hyde, da calma mãe de santo a Iansã furiosa. Nós nos tornamos pessoas diferentes e que explodem facilmente. Insuportáveis, chatas e mortíferas. Os sentimentos se misturam como tequila no sangue. A raiva e a tristeza se tornam o açúcar e o limão da caipirinha.

Pensei e pensei como poderia fazer uma comparação. Ou melhor, como criar uma situação de TPM para os homens. Só me veio uma palavra na cabeça: futebol. Então, pense você, homem, que acompanhou o ano inteiro o desenvolvimento do seu time, o campenato estadual, o brasileiro. Não importa em que divisão esteja, você só quer ver a vitória, os seus companheiros desfilando com suas camisas pelas ruas, comemorando com fogos de artifício e cerveja. Em cada jogo o martírio é diferente. As injustiças dos juízes, os momentos raivosos dos jogadores, o goleiro frango, os chutes errados, os pés lambuzados de vaselina, a cabeçada mal feita, a rede do seu time balançando.

Durante os 90 minutos, cada momento é precioso, importante, decisivo. As mãos suam em bicas, os olhos vidrados doendo pelos flashes televisivos, os ouvidos sangram com a voz do Galvão Bueno. O mundo estremece em seu eixo. Se a mulher vir cobrar algo, é motivo de briga. Se o filho pedir para brincar, ignorar é inevitável. O sangue borbulha, as orações parecem sem sentido. E, o seu time perde, e você fez tudo o que pôde, sentado no sofá da sala. Durante o tempo do jogo, seu relacionamento com a família já não é o mesmo, o contrato de amizade com o amigo do time contrário (ou com qualquer outro) já foi desfeito. Tudo isso aconteceu em curto período de tempo.

No minuto 91 você, aos poucos, percebe o clima. Então inicia todo o processo de reverter a situação. Pede desculpas por ter xingado, espatifado o vaso, jogado o controle da televisão na parede. Consegue a paz da casa, não a sua. Passa a semana como se nada tivesse acontecido. Até que chega o outro domingo, outra tarde, outro jogo.

Nossos domingos sempre acontecem uma vez por mês. E nossos times sempre perdem. Mas, os 90 minutos se transformam em dias, numa tortura insólita, que só termina quando os jogadores, com seu fardamento encarnado, saem de campo.



- Postado por: Gabi Coutinho às 17h23
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Tarô


Numa noite de lua minguante, com o incenso de arruda a baforar sua fumaça aromática e a vela amarela a queimar solitária, fez-se silêncio. Levantou, foi até sua cômoda e pegou as cartas que há muito não usava. Algo dentro dela precisava de uma resposta, ou até de algumas palavras de conforto. Alguns fantasmas rodeavam o seu presente, um específico atordoava seus pensamentos.

         Ela não dependia daquele baralho para desfrutar da sua vida. Também, nunca abria aquele jogo de forma consciente. Era sempre a sua intuição que agia sozinha, usando seu corpo, usando suas mãos. Sentou-se no sofá com o baralho nas mãos, envolto em tecido xadrez. Espalhou da maneira que achou melhor. Não fez questionamentos, nem pediu ajuda a nenhuma entidade.

         Surgiu a carta. Dizia que ela não deveria pensar em nada que pudesse fazê-la algum mal. A imagem sussurrava num tom doce e intrigante. Falava que dependia apenas dela viver presa a esse fantasma. Deveria libertar-se. Seguir em plenitude.

         Antes de sair de casa, pegou o seu amuleto. Segurou com força, agradeceu por ter aquele instrumento. Trancou a porta e saiu aliviada, pois sabia que as cartas não mentiam.



- Postado por: Gabi Coutinho às 17h44
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Carnaval...


         Ali acordava com o cheiro de mato. O odor do capim inundava a barraca e sussurrava no ouvido histórias de outrora. As árvores respiravam caladas, inertes, sem nenhuma brisa para fazê-las dançar.

         O rio passava próximo. Na sua enxurrada infinita. No seu ruído constante, batendo nas pedras de diversos tamanhos. Casava-se com o sol, e dava cores fascinantes. Banhava a pele queimada pelos raios do dia, era o fluxo constante de relaxamento. O choque dado para espantar o cansaço. As mãos cálidas para expulsar qualquer tipo de desespero. Ao entrar no rio, o líquido pulsante se infiltrava nos poros sedentos. Limpava o pensamento, engavetava a tristeza e espalhava pelo assoalho da mente pedaços de felicidade. À noite ninava os corações, contava histórias de terras distantes e águas passadas. Evocava sonhos e sorrisos. Embalava a alma noite adentro.     O céu tinha seus humores, alternando suas faces. Ora chorava a chuva, ora sorria o azul sem nuvens. Pela noite, vestia seu manto de lantejoulas prateadas. Um brilho inesquecível que penetrava nos olhos e ficava cravado nas vistas da memória. Desenhava as constelações e emitia um barulho quase inaudível de explosões estelares. Riscava o céu com as estrelas cadentes. Escutava os desejos vagos e os jogava no caldeirão da lua nova.

         O fogo, quando não vinha dos céus, ilumina        os caminhos que cuspiam o breu. Embelezava as vestes, enaltecia as sombras, brilhava a íris. As chamas se faziam ritualísticas e dançavam com violões, tambores, panelas. Nasciam nos morros, levando as loucuras do ar para a terra. As labaredas se amavam com a madeira seca, provocando crepitações em forma de gemidos.

         Os dias e noites eram intensos. Os sorrisos brotavam da face, transformavam-se em gargalhadas que espantavam qualquer má energia, assim como o sal grosso. E, a terra se fazia presente, misturada com o verde ou na forma de lama. Acalentava as camas, afofava os pés, respirava o bafo quente, aliviava os tombos.

         A música transpassava o ar. Enfiava-se nos ouvidos como espadas de vento. Encontrava no corpo os movimentos febris, insanos, ritmados, livres!

E, dançávamos com as mãos para o alto, gritávamos juntos. Aproveitávamos um carnaval de puro rock ‘n roll.

 



- Postado por: Gabi Coutinho às 16h33
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Ahh, o carnaval... e as lembranças que são arrancadas do peito de foliã!


         Mainha vive dizendo: pare de viver no passado!

         Eu até que estou conseguindo. Mas, em certas épocas do ano eu libero dessa privação e deixo as lembranças caírem mais do que as chuvas Catarinas.

         Durante grande parte da minha vida carnaval tinha apenas um nome, ou melhor, dois: Recife e Olinda. O Galo da Madrugada, no sábado de Zé Pereira, que já arrasta mais de 1 milhão de foliões, e que já fui bem pequena, na cacunda de painho, vendo aquele mundo de gente se acotovelando pra conseguir uns passinhos de frevo.

         O Timbu Coroado no Clube Náutico Capibaribe. Matinê para a pivetada como eu. Noitadas para os adultos. Minha tia passando meses para bordar uma blusa de paetês e com a vista esgotada e pedindo para ser transplantada.

         Fantasias todos os anos. Baiana, melindrosa, shee-ha. Confetes e serpentinas. E preferia essas brincadeiras de outrem em vez de jatos de espuma.

         Brincadeiras na rua de voinha. A La Ursa, pra pedir dinheiro aos tios, tias, avós, cachorros, papagaios, periquitos. A bomba de água, feita com cano, borracha e cabo de vassoura, pra molhar os desavisados que passeavam na Rua São Joaquim do Monte. Podia ser idoso, padre, mulheres com criança de colo, policial, enfermo, pessoas com necessidades especiais. Não importava. Era carnaval!

         A idade foi arrastada pelos cabelos. E já me fazia apta para Olinda. As loucuras, as bandas de frevo e de maracatu, gente subindo, gente descendo, gente rolando ladeira abaixo, beijos roubados, dinheiro roubado, cerveja e outros aditivos, polícia, fantasia, calor infernal, pisadas nos pés, risadas, muitas risadas.

         E foi descoberto o Recife Antigo. A sua diversidade, os palcos vários, a Rua da Moeda, o apertado show de Cordel, o inesquecível show de Devotos com suas rodinhas de almas sebosas, as piadas infames, as quedas, mais frevo, mais maracatu, vodka, cerveja, Marco Zero e as lágrimas que rolavam com a Madeira que Cupim não Rói.

         Sigamos, então! Amanhã é outro dia! Amanhã é outro ano! Não terei frevo, nem maracatu. Terei bateria, guitarra, figuras bizarras, gente aditivada, mato, mosquitos, boa música (creio eu!).

         Mas, do que estou reclamando? Bem melhor que ver bundas, peitos, barrigas de tanque, axé, pagode e trio-elétrico.

Viva ao Psicodália!



- Postado por: Gabi Coutinho às 17h04
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O Ataque do Besouro Jesus Cristo.


Patrocinado por Raid Casa e Jardim!

 

 

 

         Eu não sou o tipo de mulher fresca, que corre uma maratona por causa de medo de barata. Aliás, minha vizinha costumava me chamar pra matar as baratas na casa dela quando o pai não se encontrava. Já acordei com barata futucando a minha perna ao acordar, e também uma já entrou por dentro da minha calça. Mas, em nenhum momento eu entrei em profundo pânico.

 

         Mas, besouros. Besouros fazem nascer o pavor em mim! O nojo, o asco, a agonia. Ver esses bichinhos asquerosos batendo nas paredes como se fossem bolas de gude em assoalho. Escutar as suas asas vibrando bem mais alto do que a de outros bichos. E de pensar que toda a idéia de construir um texto sobre os malditos insetos nasceu porque só agora consegui expulsar um de casa.

 

         Estava eu, nas minhas tarefas cotidianas quando escuto o barulho ensurdecedor já dentro da minha sala. Dizer que pulei foi pouco. E só não falo que pulei mais alto que um sapo porque deste eu também não sou fã. Continuando. O bicho entrou e voltou para a janela. Lá, tentou insistentemente sair, mas sem sucesso. É extremamente provável que ele estivesse com mais medo do que eu, mas, paciência, não sou telepata. Tentei de tudo. Abri janela, fechei janela. Bati na janela. Nada. Dei uma raquetada no vidro com a pá que o próprio Guga teria inveja. Tive que usar o Raid. O bicho parou de se mover; provavelmente estaria morto. Engano meu! Nunca me falaram nas aulas de biologia que besouro se finge de morto e que se fecha todo parecendo uma tartaruga. Aprendeu? Eu também!

         Novamente escuto o zunido. Asas miseráveis. Dessa vez me escondo atrás de uma parede, esperando a saída triunfante do bicho para levar mais uma raquetada. Nada! Mais outro zunido e eu dou um pulo de susto. Passei pelo menos vinte minutos para ir até a janela e descobrir que o bicho, tão burro, coitado, ficava zanzando de um lado para o outro, tentando descobrir uma maneira de sair daquele “labirinto”. De repente, baixa na minha pessoa um espírito corajoso (vamos lá, Iansã!!) com uma pitada de Donald Trump com um quê de Isaura. Crio estratégias, pego a vassoura. Consigo virar o desgraçado. E Raid nele. E mais Raid. E mais. E mais. Ele ainda se move e eu penso: -- Não é possível, esse bicho é Jesus Cristo!

         Ele devia estar se debatendo quando dei minha última investida. Os palitinhos do China in Box para conseguir catá-lo. God saves China! E lá se vai ele janela abaixo.

         Neste momento penso no carnaval, em que passarei acampada e já anoto na lista algumas latas de Raid.

 

 

Curitiba, 16 de janeiro de 2008



- Postado por: Gabi Coutinho às 10h20
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Unidade de Saúde.


Há algum tempo notei que entrei numa nova fase da vida. Talvez a idade esteja proporcionando isso, ou quem sabe o relacionamento que passei a ter com o blog. O próprio ato de escrever também se modificou com o tempo, obviamente. Se postar a primeira poesia guardada, aos 12 anos de idade, vocês darão risada. Também, nessa enxurrada de modificações, veio o costume de melhor observar o que acontece ao meu redor. E não falo dos acontecimentos do Jornal Nacional, mas daqueles que ocorrem da minha casa à rua 24 de maio, por exemplo.

 

         Então, depois de muito comer peru, farofa e me lambuzar de Divino (doce feito especialmente por minha tia Lu), vai o primeiro texto de 2008. Tardio, eu sei, mas como alguns sabem, fui acometida de uma insolação miserável depois de tostar na praia de Boa Viagem, no Recife. O Caladryl me ajudou, e quem sabe não eu faça um anúncio sobre milagroso hidratante (risos!).

        

         Com todo o tumulto por causa da febre amarela, e com a minha futura viagem no carnaval, fui levada a um posto (ops, unidade) de saúde para tomar a bendita vacina! O caminho de ida foi maldito, já que saí de casa às 11h30 da matina, num sol de lascar o cocuruto de qualquer ser humano. E, como eu sou uma adoradora de sol (cof! cof! cof!), fiquei bastante feliz em me deslocar até lá, à pé, pelo simples fato de não estar a fim de pegar o velho ônibus.

         Quando já imaginava que estava perdida, avisto a suposta unidade de saúde e meu namorado sentado na grama, debaixo de uma árvore, fumando um cigarro. Seria melhor se estivesse me encontrando com ele em circunstâncias melhores, como Bosque do Papa ou Parque São Lourenço, mas marcamos um programinha romântico para tomar a vacina.

 

         Fila, debaixo do mesmo sol que já aumenta o meu colesterol por fritar a pele. Mas, tem males que vem para o bem, e sempre encontramos pessoas engraçadas, diálogos cômicos, que nos faz rir à toa!

 

         Uma senhora de calça de tactel azul, blusa da mesma cor, boné e tênis, já se faz notar ao pedir que as pessoas que estão na sombra se amotinem para que os que estão no sol possam desfrutar de uma brisa debaixo do toldo. Essa mesma senhora, com seu espírito ajudante a la duende de Papai Noel, ainda pergunta para uma mulher à minha frente:

--- Moça, posso tirar esses cabelos presos na sua blusa? --- E, como dizer não para essa simpática senhora!

         Atrás de mim, uma criança demonstrava certo pânico em relação à injeção que iria tomar. Vira para a mãe e pergunta:

--- Mãe, essa injeção dói? --- E a criança ouve a resposta que só a candura de uma mãe proporciona.

--- Dói menos que surra!

         Pelo visto a criança deve ter se contentado, pois nada mais ouvi dela, nem um piu! Ou ela engoliu o medo, ou se contentou com a dor 1000 vezes menor.

 

         Demora para a fila andar, demora para realizar o cadastro, demora para alguém chamar a vez. Total falta de sinalização e informação. Fiquei bem no meio da muvuca decidindo qual sentido seguir. Nada. Leandro foi embora. Algumas pessoas têm que trabalhar! Como hoje em dia sou a vagal da turma, tenho tempo de sobra para as minhas vacinas. Na cadeira, esperando a minha vez, nomes vão sendo chamados. A mesma senhora de azul repete os nomes. Dá tons diferenciados, cria sobrenomes globais, etc. Finalmente alguém nos informa que a vacina da febre amarela estava sendo dada numa sala logo adiante.

 

Cinco minutos depois, saí com o braço furado, cartão de vacinação na mão e um semblante de alívio. As filas continuavam a se formar, o sol continuava a pino e tudo que eu pensava era em tomar as outras vacinas do cartão. E, para quem tem medo de injeção, estarei ministrando aulas de como aliviar esse medo. Aproveitem agora enquanto a febre amarela está bombando!



- Postado por: Gabi Coutinho às 14h30
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         Está chegando o dia de ir para a terrinha! E, já sinto no couro as conseqüências disso: o humor negro exacerbado, o snake spirit mudando de pele, a safadeza. Assim, num momento nostálgico e relembrando fatos do passado, resolvi reler textos antigos deste blog. Fiquei molhada de emoção! Encharcada pelas lágrimas que saiam em torrentes pelos meus olhos castanhos. Pus a mão na cabeça e consegui ser mais dramática que atriz de novela mexicana. Os sentimentos explodiam em vários sabores de frutas. Os cabelos sacudiam e formavam molduras para cada carranca.

        

Após breve insight, acompanho da incorporação de um espírito psicólogo e de análise de textos passados, cheguei a sábia conclusão: eu adoro me usar!

         Meter o dedo na caixa do cérebro.

         Bolinar algumas palavras.

         Beliscar o bico do substantivo.

         Lamber o umbigo do adjetivo.

         Morder a bunda do verbo.

         Chupar o pronome.

         Massagear o artigo.

         Acariciar o advérbio.

         Montar na frase.

         Remexer nos acentos.

         Gozar com o texto.

 

         Espera os ânimos se acalmarem, o coração desacelerar. Deita os dedos no ‘publicar’ e dorme.



- Postado por: Gabi Coutinho às 00h06
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         Tarde de sábado. As pessoas poderiam estar num parque qualquer, deitados na grama, andando em suas bicicletas, se alimentando de luz. Mas, estão enfurnados em uma sala, numa tentativa de adornar um pouco mais seus currículos.

         O professor olha para o trabalho do aluno. Sim, muitos reconhecem o anúncio apresentado; bem parecido com aquele outro que, no momento, não vem à memória. O rapaz se empenha em explicar o seu ponto de vista, mas é interrompido pelo professor.

--- Está muito bom, mas já houve um tipo de criação deste tipo. Mas, não é ruim. Significa que você está em sintonia com uma boa idéia.

         Uma aluna, no fundo da sala, solitária, sonolenta, observava com atenção os comentários proferidos pelo professor. Pensou alto: poeira cósmica. Mas, o pensamento exalou pelas suas cordas vocais e provocou algum som, sendo ouvido por todos. O professor direciona o olhar para ela e pergunta:

--- Poeira cósmica?

         A garota levanta o olhar, nota a face ficando rubra, mas responde:

--- Sim, poeira cósmica. --- E continua --- O pensamento é estrela que explode. Chega aos nossos corpos, penetra em nossas cabeças. Tornam-se centelhas. São várias pessoas pensando quase da mesma maneira.

--- E por que quase?

--- Ora, porque nascemos, crescemos, fomos criados de maneira diferenciada. As centelhas influenciam outras centelhas, mas estas nunca perdem a sua unidade, nem esquecem a sua origem.

         A aluna faz uma pausa. Fita a sala rapidamente. Um rapaz lança o comentário:

--- Isso parece papo esóterico.

         O professor parece querer dizer algo. Talvez uma defesa, talvez palavras maldosas. É interrompido. Ela continua:

--- Mas, não deixa de ser algo divino e glorioso. O achado da frase perfeita! Da sacada sensacional! Do casamento da imagem suculenta com o texto enxuto! A vida está nas palavras, desde os sussurros pós-orgasmos aos gritos de dor. Se não tivéssemos essa sintonia, talvez não fosse possível atingir patamares tão elevados de idéias.

         Ela pára. Esses assuntos a deixam extasiada; os olhos brilham. A sala fica extática. Os alunos babam, saboreiam cada palavra dita, cada frase parida naquele instante, cada poeira lançada novamente neste espaço febril.



- Postado por: Gabi Coutinho às 17h35
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Agora minha cabeça fundiu de vez. Com revistas, com a publicidade, com o marketing, com as notícias do jornal nacional e com o mais recente post do Thi (Canis). A última vez que escrevi algo sobre a área que exerço (cof! cof!) foi assim que me formei e questionei: o que farei agora?

Ao ler a revista Marketing do mês de setembro, um pouco atrasada, confesso, notei que essa minha área, assim como todas as outras se resumem a simples frases, uma leve crônica ou até um pequeno conto. Em todas as linhas de jornais, revistas, livros, a ladainha é a mesma: satisfaça o seu consumidor! Deixe-o inebriado, achando ser um deus na terra, enquanto cédulas são tiradas dos bolsos e o capital gira e a economia se arrasta preguiçosa.

Foi pensando nisso que me deu uma vontade danada de escrever, e assim eu lembrei da síndrome da página branca. E, também, no que acaba ocasionando e impulsionando a minha sentada na cadeira desconfortável pra afundar os dedos no teclado. Enfim, me faz pôr a cachola pra funcionar.

Voltando à revista, acabei lembrando que nada mais passa a ser novidade. As palestras com seus homens de sucesso a falar das suas vidas. Tem coisa mais impiedosa que ler numa revista que um meninão de 26 anos já é CEO de uma grande empresa? E, eu, que aos 26 anos escrevo divagações num blog e algumas poucas poesias? Mas, me veio um flash na cabeça, com energia suficiente pra escrever uma lâmpada. Não preciso de Kotler para saber que a publicidade vai mudar, que o marketing continuará crescendo, que a era digital vai tomar conta do mundo.

A diferença? O tiozinho lá tem experiência no currículo, livros publicados e fama na carteira. Muita fama. Eu tenho leitura nos olhos, intuição ferrenha e uma certa noção de escrita.

Será que tem alguma vaga pra mim no Marketing Intuitivo?



- Postado por: Gabi Coutinho às 10h44
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