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Ontem à noite fiquei tendo mais uma vez uns vislumbres de conversa com aquele que me rouba minha paz. Minha mente deve achar que eu me satisfaço com esses atos inconscientes, mas isso não ocorre porque eu sofro. E sempre surgem as mesmas cenas na minha cabeça. Uma mesa de bar, conversas íntimas, olhares entusiasmados e, no fim, o roubo de um beijo. Outras vezes, num apartamento, taças de vinho e amassos mal comportados. Minha mente vagueia nesses sonhos platônicos. Então lembro dos poetas, com suas mulheres que nunca poderiam tocar, ou seus homens que nunca poderiam saber dos verdadeiros sentimentos daquele escritor apaixonado. Será que todas as pessoas têm essa imaginação masoquista? Será que é isso o que dizem ser sonhar acordado? Se for, não faço nada além disto. Mas me consome, me entristece e me furta o sono saber que o que imagino está longe para acontecer. Isto porque sempre é dada tanta perfeição ao acontecimento. Tudo ocorre no momento certo, o beijo é sempre perfeito, as mãos correm sempre suaves, o sexo é sempre satisfatório. Ah! Mas eu não o amo. Faz parte de mim esse desejo quase suicida de tê-lo apenas por algumas horas, me alimentado desse meu querer quase compulsivo. Já aconteceu antes, e iria acontecer agora se ele realmente o quisesse. Então, antes de magoá-lo com minha recusa certa, o melhor a fazer é apenas observar. Mas, fazê-lo como um escravo fita o prato de comida do seu senhor, em vez de um voyeur, que devora o ato sexual alheio, sentindo o prazer em todas as fibras do corpo. - Postado por: Gabi Coutinho às 12h36 [ ] [ envie esta mensagem ] Será que era esse o seu defeito? Ser outra pessoa? Não aquela amiga com o corpo invejado, ou aquele amigo com a mente fascinantemente brilhante, mas ser um ser inimaginável, talvez de outro planeta, talvez dos mundo ocultos. Nela havia essa crença, mais forte que a sua alma, que bruxas faziam chover, vampiros tiravam vidas com seus beijos mortais, belos cavalheiros lutavam pela ordem do planeta. No quarto, na frente do espelho, ela adotava personagens, fingia não notar que havia uma câmera fantasiosa que a filmava nos seus momentos de imaginação, e fazia seu outro alguém crescer dentro dela. Muitas vezes, não se limitava aos seu quarto e saía vestindo sua fantasia, punha sua maquiagem mais forte e achava que aquele mundo iria mudar em um simples instante. Por que o mundo não muda? Perguntava ela. Não havia resposta porque ninguém poderia ler seus pensamentos, ou sentir-se como ela. A cada música que escutava, imaginava diálogos, pensava em cenas; algumas com finais felizes. A maioria com finais felizes. Mas, sempre com seus diversos seres secretos, que surgiam na sua mente sem, ao menos, perguntar se a entrada era livre. Vivia com estranhos vampiros, sedutores anjos, longos vestidos negros, olhos vidrados em algum lugar fantástico. Mas ninguém a escutava, e ela guardava essas insanidades dentro dela, envergonhada em declarar que tinha essas personalidades transtornadas. Chegou a desejar contar ao mundo tudo isso que sentia, mas imaginou as críticas dos seus amigos, que se sentiam num mundo onde a realidade prevalece. Mas, será que a realidade não é mais uma fantasia das nossas cabeças? Será que não somos imagens mentais de outras pessoas? Será que não somos sonhos insanos da mente de um louco? Será que não somos citações irreais de uma mente perturbada? Por que sempre temos que ser tão racionais? Sempre cem por cento racionais. Tão centrados no nosso dinheiro, na nossa vida profissional, nos supostos pretendentes a casamento. E quem serão essas pessoas que poderemos passar o resto das nossas vidas (ou o resto da vida deles)? E quem seria esse alguém? Uma outra parte, o amor das nossas vidas? Alguém igual a ela? Quem seria tão insano pela visão da sociedade? E as perguntas saltitavam na sua mente. Perguntas que nunca teriam respostas. Talvez algumas teses de algum médico maluco. Talvez ela fosse amaldiçoada, e quem sabe suas idéias seriam queimadas na fogueira. Até ela poderia ser queimada na fogueira. Chegou a sentir a pele arder por um segundo, inalou alguns segundos de pele queimada e voltou à realidade; realidade essa que a tomou por completo, e que acabou cometendo suicídio, por ter sido deletada de mais uma mente que se transforma em mais uma imagem robótica da sociedade. Daí reflito eu: os grandes pensadores de outrem inflaram novas idéias nas várias cabeças ocas. Hoje, os nossos pensadores querem dissecar nossas moléculas e nosso cérebro. Eu vou te conhecer melhor quando souber como sua maquinaria funciona? - Postado por: Gabi Coutinho às 11h59 [ ] [ envie esta mensagem ]
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