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Estava eu a pensar em fatos passados, doloridos e felizes. Tentando dar uma explicação às mudanças e medos de hoje. É bem verdade que o ontem nos molda, mas não diz o que somos hoje. Acabamos sendo um misto dos acontecimentos que nos cercam no dia a dia. Infelizmente o passado dita o nosso relacionamento com as pessoas, pois se sofremos, não queremos passar pela dor novamente e muitas vezes nos esquivamos dos sentimentos nossos e dos outros. Por isso considero uma pessoa afortunada aquela que tem a capacidade de se entregar por completo e de fazer surgir belos pensamentos. Eu também passei pelos sofrimentos, chorei, amaldiçoei, desejei que os ventos enxugassem as minhas lágrimas e que as águas carregassem para longe o que me amolava. Nós passamos por situações inexplicáveis que tiram a nossa razão. Excomungamos e aprisionamos os nossos corações achando que é a única maneira de sofrer menos. Mas, o tempo passa, o mar revolto volta a sua tranqüilidade habitual, as cicatrizes começam a se apagar. Mas, a fortuna muitas vezes pode se tornar desilusão, e a idade já demonstra a sapiência. As tentativas acabam se esgotando, a vontade vai desaparecendo e o querer cessa, se tornando apenas um leve sorriso sem borboletas para agitar o estômago. Sou a favor das tentativas que amolecem o coração e endurecem o aprendizado. Então amigos, aproveitem as borboletas, enquanto elas ainda atormentam as tripas enamoradas! E que estes lindos seres possam fazer isso pelo resto de suas vidas! - Postado por: Gabi Coutinho às 19h02 [ ] [ envie esta mensagem ] Num certo tempo, um barulho baixo despontava ao sul e uma mancha negra se aproximava devagar. Não havia nenhum outro movimento, nenhum rebuliço de árvores ou animais, apenas aquele som cada vez mais alto. A terra passou a tremer timidamente, o coração palpitava ansioso e da imaginação escorriam monstros de histórias de infância. No momento em que o mundo havia parado de girar, na expectativa em saber o que avançava, surgem tons de cinza e amarelo, num formato grotesco. E atrás dessa forma, um rabo é arrastado enquanto o monstro caminha, imitando os seus movimentos e a sua respiração. E, vinha, no meio da noite, o monstro de ferro, andando sobre rodas, arrastando seu rabo interminável de vagões. Cortava o ar calmamente, deslizava no breu com muito jeito, sem assustar os moradores da região. Nós, boquiabertos, fitávamos a cena, sem conseguir sair do lugar, olhando as cores que se alternavam. O monstro pára, nos observa, mas nada fala. Depois de alguns minutos volta a caminhar no vazio das estrelas sem um apito de chegada ou de partida, apenas no sonolento “vuco, vuco”. Ainda ficamos a esperar o final da centopéia, que parece não chegar nunca. E se cria a expectativa do “agora é a hora”. Num momento tudo se acaba, e o monstro continua sua jornada para sei lá onde. Continuamos a seguir, no silêncio mórbido, nos encharcando do ar frio e seco, procurando a madeira para nos aquecer e o lugar para dormir, longe de monstros mansos e centopéias de ferro. - Postado por: Gabi Coutinho às 13h08 [ ] [ envie esta mensagem ]
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